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Memorial Cap 110 e Anse Caffard: memória e litoral em Le Diamant

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 · por Ismael Samuel

Memorial Cap 110 e Anse Caffard: memória e litoral em Le Diamant

Há lugares que se visitam e outros que se sentem. O Memorial Cap 110, fincado na relva rasa da Anse Caffard, no extremo oeste de Le Diamant, pertence à segunda categoria. Quinze silhuetas de concreto branco, de cabeça baixa, alinhadas diante do oceano, no sussurro dos ventos alísios e com o Rochedo do Diamante pousado no horizonte: na primeira vez que se descobre essa cena, baixa-se a voz e demora-se muito mais do que o previsto. Depois de anos a trazer aqui os meus hóspedes, continuo convencido de que é o mais belo resumo do sul martinicano. Eis o meu guia de campo para viver o lugar, a sua trilha litorânea e a grande praia do Diamant logo ao lado.

O Memorial Cap 110: quinze estátuas voltadas para o alto-mar

O Memorial Cap 110 é uma obra do artista martinicano Laurent Valère, inaugurada em 1998 para o 150.º aniversário da abolição da escravatura. Quinze bustos monumentais, com cerca de dois metros e meio de altura, estão dispostos em triângulo e orientados para o rumo de 110 graus, ou seja, para o golfo da Guiné, de onde partiam os navios negreiros — daí o nome do conjunto.

A história que as estátuas carregam

O memorial presta homenagem às vítimas de um naufrágio ocorrido na noite de 8 para 9 de abril de 1830, ao pé das falésias da Anse Caffard. Uma embarcação carregada de cativos espatifou-se contra elas numa época em que o tráfico já estava oficialmente proibido: era, portanto, um navio clandestino, e muitas das pessoas acorrentadas a bordo pereceram. Os rostos graves e o olhar tenso voltado para o horizonte traduzem o luto e a espera. Compreende-se logo por que o lugar impõe silêncio: não é um cenário, é uma estela a céu aberto.

As minhas dicas práticas para a visita

  • Acesso e preço: o local é ao ar livre, de acesso livre e gratuito, aberto o ano todo, sem horários nem bilheteira. Há um estacionamento gratuito logo abaixo, ao longo da D37.
  • Duração: conte com 30 a 45 minutos, mais se ler os painéis informativos.
  • Melhor momento: aponte para o fim da tarde, por volta das 16h-17h30, quando a luz dourada realça o concreto branco e o sol se põe atrás do Rochedo. De manhã cedo ou durante a semana, terá o local quase só para si, longe dos ônibus dos cruzeiros.
  • Respeito pelo lugar: é um memorial, não um cenário para selfies. Espera-se vestuário e postura corretos, e não se sobe nas estátuas.

Do pequeno miradouro ao lado, um painel conta a outra lenda da região: no início do século XIX, os britânicos haviam fortificado o Rochedo do Diamante e o haviam registado como um navio de guerra fictício, o «HMS Diamond Rock». Esse pináculo vulcânico de 175 metros, a cerca de 2 km da costa, é hoje uma reserva onde nenhum desembarque é permitido.

Les statues blanches du Mémorial Cap 110 dressées face à la mer des Caraïbes à l'Anse Caffard, au Diamant en Martinique
Les quinze statues du Mémorial Cap 110, en mémoire des victimes de la traite, à l'Anse Caffard. — © Rehcral (Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

A trilha litorânea da Anse Caffard

Muitos visitantes vão embora logo após as estátuas. É uma pena: a Anse Caffard prolonga-se por uma agradável trilha litorânea que acompanha a costa rochosa e oferece, a meu ver, as mais belas perspetivas sobre o Rochedo do Diamante.

Como é o passeio

  • Distância: um circuito curto de 1,5 a 2,5 km a partir do estacionamento do memorial.
  • Duração: 45 minutos a 1h15 num ritmo tranquilo, paradas para fotos incluídas.
  • Perfil: de plano a ondulado, sobre terra e rocha vulcânica; alguns trechos perto da borda exigem atenção.
  • Nível: fácil, acessível em família. Não é a subida ao vizinho Morne Larcher, bem mais exigente.

O caminho atravessa uma floresta seca típica do sul — cactos-tocha, guaiacos, uvas-da-praia — e desemboca em saliências rochosas varridas pela espuma. O contraste entre o azul do alto-mar, o negro da rocha e o branco das estátuas mais recuadas continua a ser uma das minhas imagens preferidas da Martinica.

O que levar

  1. Calçado fechado ou boas sandálias de caminhada: a rocha vulcânica é cortante e escorregadia em alguns pontos.
  2. Água (pelo menos 75 cl por pessoa): não há nenhum ponto de água no percurso.
  3. Chapéu, óculos e protetor solar: a sombra é rara neste litoral exposto aos alísios.

Evite a trilha logo após chuvas fortes, quando a terra vermelha fica lamacenta, e nunca se aproxime demais da borda com ondulação acentuada: o mar retoma depressa os seus direitos.

A praia do Diamant, a dois passos do memorial

A alguns minutos de carro para leste começa a praia do Diamant. Com os seus mais de 3 km de areia clara diante do Rochedo, é uma das praias mais longas da ilha, ampla e ventosa, ideal para caminhar à beira-mar, observar os surfistas e encerrar o dia ao pôr do sol.

Banho, vento e segurança

  • Banho: possível, mas com prudência. A praia está exposta aos alísios e pode formar-se uma corrente de retorno conforme a ondulação; fique perto da margem e desista com mar agitado. Para um banho tranquilo em família, vá antes para a Pointe Marin em Sainte-Anne ou para as Anses-d’Arlet.
  • Sargaços: voltada para o lado do Caribe, a praia fica em geral poupada, ao contrário das praias atlânticas do leste da ilha.
  • Serviços: alguns food trucks e lolos margeiam a estrada, com cozinha crioula simples a 12-25 € o prato e de 5 a 8 € o suco fresco ou o ti-punch.

O encadeamento de uma meia-jornada perfeita

Para ligar tudo sem rodar de um lado para o outro, comece por volta das 16h pelo Memorial Cap 110, siga para o circuito da trilha litorânea e depois desça à praia do Diamant por volta das 17h30 para o pôr do sol, antes de um jantar num lolo da vila.

Le littoral du Diamant avec sa plage de sable, ses cocotiers et le Rocher du Diamant au large, en Martinique
Le littoral du Diamant et le Rocher du Diamant émergeant au large. — © G21designz (Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

Organizar a visita a Le Diamant

A vila de Le Diamant fica a cerca de 35 km de Fort-de-France e a 25 km do aeroporto Aimé Césaire (Le Lamentin), ou seja, 40 a 50 minutos de carro, e a cerca de meia hora de Les Trois-Îlets. Como em toda a Martinica, o carro de aluguel é fortemente recomendado: nenhuma linha de ônibus serve corretamente a Anse Caffard.

A melhor época continua a ser a estação seca, o Carême, de dezembro a abril: trilha seca, mar mais legível e luz ideal tanto para o memorial como para o Rochedo. Em fevereiro-março, o carnaval anima todo o sul; reserve a sua hospedagem com bastante antecedência.

Le Diamant é um excelente acampamento-base: les Salines em Sainte-Anne, a Anse Noire de areia vulcânica e a Anse Dufour, famosa pelas suas tartarugas, ficam a menos de 30 minutos, assim como as destilarias de rum agrícola AOC (La Mauny, Trois-Rivières).

Hospedar-se em Le Diamant com a Hostel Toucan

Para aproveitar esses pores do sol sobre o Rochedo sem voltar a pegar no carro uma hora depois, nada como uma hospedagem bem localizada no sul. Na Hostel Toucan, gerimos aluguéis de temporada em regime de concierge, para os viajantes que querem explorar a Martinica autêntica.

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O Memorial Cap 110 não é uma simples etapa entre duas praias: é um lugar de memória prolongado por um belo litoral e uma grande praia onde o sol se põe atrás do Rochedo. Reserve o seu tempo — é assim que Le Diamant realmente se revela.

Perguntas frequentes

O Memorial Cap 110 da Anse Caffard é pago?

Não. O Memorial Cap 110, na Anse Caffard de Le Diamant, é um local ao ar livre de acesso totalmente livre e gratuito, aberto o ano todo, sem horários nem bilheteira. Há um estacionamento gratuito logo abaixo. Conte com 30 a 45 minutos de visita, idealmente ao fim da tarde para a luz dourada e o pôr do sol sobre o Rochedo do Diamante.

O que representam as estátuas do Memorial Cap 110?

São quinze bustos de concreto branco realizados pelo artista martinicano Laurent Valère em 1998, para o 150.º aniversário da abolição da escravatura. Voltados para o alto-mar na direção do rumo de 110 graus (rumo ao golfo da Guiné), prestam homenagem às vítimas do naufrágio de um navio negreiro clandestino ocorrido em 1830 ao pé das falésias da Anse Caffard.

Pode-se tomar banho na praia do Diamant ao lado do memorial?

Sim, a grande praia do Diamant estende-se por mais de 3 km a alguns minutos do memorial, mas o banho exige prudência: a praia é ventosa e pode formar-se uma corrente de retorno conforme a ondulação. Fique perto da margem e desista com mar agitado. Para um banho mais calmo em família, prefira a Pointe Marin em Sainte-Anne ou as Anses-d’Arlet.

Como chegar ao Memorial Cap 110 e à Anse Caffard?

Le Diamant fica a cerca de 35 km de Fort-de-France e a 25 km do aeroporto Aimé Césaire de Le Lamentin, ou seja, 40 a 50 minutos de carro, e a cerca de meia hora de Les Trois-Îlets. O carro de aluguel é fortemente recomendado: nenhuma linha de ônibus serve corretamente a Anse Caffard, e é a maneira mais simples de encadear os locais do sul.

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