Regras da pesca a pé e dos mariscos na Martinica: o que é permitido, proibido e protegido
Publicado em 6 de agosto de 2025 · por Ismael Samuel
Na maré baixa, a plataforma rochosa da costa atlântica fica exposta e a tentação é grande: um balde, sapatilhas de água e lá vamos nós “pescar a pé” como na Bretanha. Só que aqui, nos trópicos, a coisa é muito mais regulada do que se imagina. O lambi é rigorosamente regulamentado, o ouriço-branco só pode ser apanhado algumas semanas por ano, e certas áreas do litoral estão proibidas à coleta. Como serviço de concierge instalado na ilha, a cada temporada vemos viajantes arriscando multa por não terem verificado as regras. Aqui está, sem jargão, o que diz realmente a regulamentação da pesca a pé na Martinica: espécies protegidas, tamanhos legais, defesos e portarias prefeitorais DOM.
Pesca a pé na Martinica: um lazer tolerado, mas muito regulado
Esclareçamos primeiro um mal-entendido. A pesca a pé de lazer (à mão, sem barco, na maré baixa) é autorizada na Martinica, mas obedece a um quadro denso, próprio dos DOM. Sendo a Martinica um departamento e região ultramarina francesa, são portarias prefeitorais (a prefeitura e a Direction de la mer) que fixam as regras localmente, além do direito nacional e europeu. Esses textos mudam de um ano para o outro. Os princípios básicos:
É reservada ao seu consumo familiar; a revenda é proibida (cabe à pesca profissional licenciada).
Cada espécie tem a sua regra: tamanho mínimo, período de abertura, às vezes uma cota diária.
Algumas espécies integralmente protegidas não podem ser apanhadas.
Os cilindros de mergulho são proibidos: pesca-se a pé ou em apneia, não com escafandro.
O reflexo do morador atento: verificar a portaria em vigor junto à Direction de la mer antes da temporada.
O lambi (Lobatus gigas, o búzio-gigante) é aquele grande molusco rosa nacarado cuja carne brilha em fricassés e caldos antilhanos. É também uma espécie sobre-explorada em todo o Caribe, inscrita na CITES (comércio internacional regulamentado). Para o pescador de lazer:
A sua pesca é muito restrita, ou até fechada conforme as portarias; foi suspensa por longos períodos na Martinica para deixar os estoques se recomporem.
Quando é autorizada, só um lambi adulto (concha com o “lábio” bem aberto e espessado) pode ser apanhado; os jovens de concha fina e pontiaguda são proibidos.
A cota de lazer é estritamente limitada (alguns indivíduos por saída conforme os textos), e o mergulho com cilindro é proibido.
Conselho de bom senso: uma concha vazia encontrada na praia pode virar lembrança, mas nunca apanhe um lambi vivo. O risco penal é real e a espécie é frágil.
Ouriço-branco: uma temporada ultracurta a respeitar
Segunda estrela da pesca a pé antilhana: o ouriço-branco na Martinica (o “chadron”), cujas ovas alaranjadas são uma iguaria cobiçada. A regra, rigorosa, confunde os visitantes.
Só se pesca durante uma temporada de abertura muito curta, fixada a cada ano por portaria, tradicionalmente no fim do ano (dezembro-janeiro), às vezes por apenas alguns dias.
Fora dessa janela, toda coleta é proibida, mesmo de um único ouriço.
Aplicam-se um tamanho mínimo (diâmetro da carapaça, sem os espinhos) e uma cota diária; em alguns anos a temporada é totalmente fechada.
Em outras palavras: salvo golpe de sorte do calendário, um viajante de passagem quase nunca tem o direito de apanhar ouriços. Para prová-los, é melhor comprá-los a um pescador profissional ou degustá-los no restaurante durante a abertura.
Tamanhos mínimos e espécies comuns: o memorando de campo
O litoral oferece outras capturas. Os tamanhos abaixo são indicativos e devem ser verificados antes de cada temporada; o espírito não muda: devolve-se tudo o que for pequeno demais.
Burgo (“burgaud”): grande caramujo das rochas atlânticas, tamanho mínimo de alguns centímetros.
Bivalves (amêijoas e berbigões locais): coleta em fundos arenosos, com tamanho mínimo a respeitar; atenção à qualidade sanitária da água.
Caranguejos de terra: cabem à caça no manguezal em torno da Páscoa (o matoutou), com suas próprias regras.
Lagosta: temporada e tamanho específicos; uma lagosta “ovada” (carregando ovos) nunca se pesca.
Algumas proibições transversais a reter:
Nada de retirar coral nem espécies fixas vivas (tridacnas, gorgônias): rigorosamente protegidas.
Nada de coleta nas reservas e zonas protegidas (Caravelle, ilhéus classificados, Conservatoire du littoral).
Nada de pesca noturna com lâmpada quando a portaria proíbe.
Clordecona e zonas proibidas: a restrição sanitária a não negligenciar
Uma restrição própria da Martinica escapa aos pescadores da metrópole: a clordecona. Esse pesticida, outrora usado nas bananeiras, contaminou de forma duradoura certos solos e áreas litorâneas. Por isso, portarias prefeitorais proíbem a pesca (a pesca a pé incluída) em vários setores costeiros, sobretudo perto da foz de alguns rios do Norte e da costa atlântica.
O que reter, sem pânico:
Essas zonas proibidas estão mapeadas: apanhar ali mariscos e bivalves é proibido e desaconselhado para a saúde.
Os bivalves filtradores (amêijoas) concentram mais os contaminantes: evitam-se com prioridade.
O banho de mar não é afetado: é o consumo dos produtos do mar que coloca problema.
Antes de pescar para consumir, consulte o mapa das zonas proibidas e peça conselho localmente.
Pescar a pé de forma responsável: os bons gestos do morador
Além da lei, há uma ética do litoral. Mal praticada, a pesca a pé danifica um meio já frágil. Os gestos que fazem a diferença:
Recoloque cada pedra virada na sua posição original: a microfauna que vive embaixo morre de barriga para cima.
Apanhe só o que vai comer no mesmo dia, sem ultrapassar as cotas.
Respeite os tamanhos e devolva os indivíduos pequenos demais onde os encontrou.
Caminhe pelos canais de areia em vez de sobre os prados marinhos e as cabeças de coral.
Equipe-se: sapatilhas de água fechadas, luvas, chapéu, água e um saco para o seu lixo.
Desconfie do mancenilheiro, árvore tóxica cuja seiva irrita gravemente a pele.
Para situar essa atividade numa descoberta mais ampla da ilha, percorra o nosso guia completo da Martinica.
Preparar bem a sua saída de pesca a pé com a Hostel Toucan
A regulamentação da pesca litorânea nos DOM muda conforme a espécie, a temporada e o município: difícil acompanhar tudo em duas semanas. É aí que uma ancoragem local faz a diferença. Na Hostel Toucan, serviço de concierge e aluguel de temporada na Martinica, ajudamos os nossos viajantes a aproveitar o litoral em total legalidade.
Reservar diretamente conosco é:
Sem taxas de plataforma: você paga o preço justo, sem comissão acrescentada.
Um cancelamento gratuito até 7 dias antes da chegada, prático quando o seu programa depende das marés.
Uma assistência WhatsApp 7 dias por semana para saber, em tempo real, quais espécies estão abertas, quais zonas evitar (clordecona, reservas) e onde comprar lambi ou ouriços de forma regular (código +596; -5h no inverno e -6h no verão em relação a Paris).
Para montar a sua estadia, descubra os nossos alojamentos na Martinica bem situados no litoral, ideais para sair cedo na maré baixa. E se você possui um imóvel à beira-mar, veja como acompanhamos os proprietários.
A melhor época continua sendo a estação seca (o Carême), de dezembro a abril, que muitas vezes coincide com a abertura do ouriço. Com o bom reflexo “portaria + tamanho + zona”, você voltará com um cesto em regra e a consciência tranquila.
FAQ
A pesca a pé é permitida na Martinica?
Sim, mas é rigorosamente regulada por portarias prefeitorais próprias dos DOM. É reservada ao seu consumo familiar, a revenda é proibida, e cada espécie tem o seu tamanho mínimo, a sua temporada de abertura e às vezes uma cota. Algumas espécies protegidas são totalmente proibidas. Verifique sempre a portaria em vigor junto à Direction de la mer antes de pescar.
Pode-se apanhar lambi na Martinica?
O lambi é a espécie mais vigiada da ilha. A sua pesca de lazer é muito restrita, e até suspensa por longos períodos para recompor os estoques. Quando é autorizada, só os lambis adultos (lábio bem aberto e espessado) podem ser apanhados, dentro de uma cota estrita e sem cilindro. Nunca apanhe um lambi vivo em caso de dúvida; uma concha vazia encontrada na praia, por outro lado, pode virar lembrança.
Quando se pode pescar o ouriço-branco na Martinica?
O ouriço-branco (o chadron) só se pesca durante uma temporada de abertura muito curta fixada a cada ano por portaria, tradicionalmente em torno de dezembro-janeiro, às vezes por apenas alguns dias. Fora dessa janela, toda coleta é proibida. Aplicam-se um tamanho mínimo e uma cota, e em alguns anos a temporada é totalmente fechada. Fora da abertura, é melhor comprar os ouriços a um pescador profissional.
Há zonas onde a pesca a pé é proibida na Martinica?
Sim. A pesca é proibida nas reservas e zonas protegidas (Caravelle, certos ilhéus, Conservatoire du littoral), bem como em setores costeiros contaminados pela clordecona, onde portarias prefeitorais a proíbem, sobretudo perto da foz de alguns rios do Norte. Os bivalves filtradores são ali particularmente desaconselhados. Consulte o mapa oficial antes de qualquer coleta destinada ao consumo.
Nous utilisons des cookies de mesure d'audience et de publicité pour améliorer votre expérience
et nos campagnes. Vous pouvez accepter ou refuser. Voir notre
politique de confidentialité.