«Quando ir à Martinica para ver baleias e tartarugas?» A pergunta surge em quase toda reserva, e muitas vezes preciso decepcionar um pouco: não existe uma única resposta certa. A temporada das baleias na Martinica e a das tartarugas não acontecem ao mesmo tempo. Uma se vive em plena estação seca, o Carême, com mar liso e céu azul; a outra precisa ser merecida em plena estação úmida, à noite, numa praia do Sul. Veja como escolher a sua janela conforme o que você sonha em ver, com o curto período em que dá para tentar as duas.
Dois calendários que não se sobrepõem
A Martinica é um departamento francês de ultramar (DROM) banhado pelo mar do Caribe a oeste e pelo oceano Atlântico a leste, e essa dupla fachada explica tudo: os grandes cetáceos frequentam a costa caribenha (águas calmas, fundos que mergulham rápido) durante a estação seca (o Carême, de janeiro a maio), enquanto as tartarugas desovam nas praias tranquilas do Sul durante o hivernage (estação úmida, de março a outubro). A alta temporada turística clássica (dezembro-abril, céu limpo, preços altos) coincide, portanto, com as baleias, mas não realmente com as tartarugas: um dos raros casos em que os folhetos e a natureza divergem. Para o contexto climático completo, nosso guia da Martinica detalha as duas estações região por região.
Pontos práticos: paga-se em euros, fala-se francês e crioulo, o código é +596, a diferença de fuso é de -5 h no inverno / -6 h no verão em relação a Paris, e desembarca-se no aeroporto Aimé Césaire (Le Lamentin). Um carro é fortemente recomendado para chegar às marinas e às praias.

A temporada das baleias na Martinica: de janeiro a maio
É o grande espetáculo do inverno. As baleias-jubarte sobem do Atlântico Norte rumo às águas quentes das Antilhas para se reproduzir e parir, costeando a costa caribenha.
O pico de observação: fevereiro-março
A janela útil vai de meados de janeiro a fim de abril, às vezes até o começo de maio, com um pico nítido em fevereiro e março, as semanas mais estáveis do ano: mar plano, visibilidade excelente. Boa notícia para os indecisos: nessa mesma costa, golfinhos e cachalotes cruzam o ano todo, de modo que um passeio fora da temporada das baleias tem boas chances de ser recompensado.
De onde partem os passeios
A observação de cetáceos na Martinica se concentra na fachada oeste, de onde partem os pequenos barcos: Le Diamant diante do célebre Rocher (cerca de 35 km ao sul de Fort-de-France), Les Trois-Îlets (Pointe du Bout), Les Anses-d’Arlet e Saint-Pierre ao norte, conhecida pelos cachalotes. Conte de 60 a 80 € por adulto em meio período (3 a 4 h) em grupo pequeno, de 90 a 150 € em passeio privado. Um operador sério nunca «garante» o avistamento de baleias, e todos os passeios respeitam a carta do santuário Agoa (sem nado com baleias, distância mínima de 100 m).
A temporada das tartarugas na Martinica: de março a outubro
Mudança de clima, e de estação. A desova das tartarugas é um fenômeno noturno, lento e frágil, em plena estação úmida. Três espécies frequentam a ilha, todas integralmente protegidas: a tartaruga-de-couro, a gigante (até 2 m, mais de 500 kg), desova sobretudo de abril a julho (pico maio-junho); as tartarugas-de-pente e verde mais de junho a outubro. A incubação dura cerca de 60 dias: as eclosões se distribuem do verão ao outono. Entre maio e setembro você está na boa janela, tanto para uma fêmea subindo à praia quanto para uma eclosão.
As praias de desova do Sul
As tartarugas escolhem praias de areia solta, pouco iluminadas e calmas à noite. Por respeito às orientações, jamais se divulga a localização exata de um ninho ativo:
- O setor de Sainte-Anne, de Sainte-Luce e as enseadas do grande Sul acolhem sobretudo desovas de tartarugas-de-pente.
- A Grande Anse du Diamant vê subir regularmente as fêmeas; descobrir de madrugada um rastro em leque na areia continua sendo um dos arrepios do verão martiniquense.
- As enseadas do norte de areia preta vulcânica (Le Carbet, Le Prêcheur) são locais prediletos da tartaruga-de-couro.
Não confundir: as tartarugas com que se cruza de dia, de máscara no rosto, na Anse Dufour ou na Anse Noire pastam nos herbários e não desovam.
A regra de ouro: passar pela rede de voluntários
Nunca saia sozinho à procura de uma tartaruga à noite: uma fêmea perturbada pode dar meia-volta e soltar os ovos no mar, e perturbar um animal protegido é um delito. A Martinica dispõe de uma rede de tartarugas marinhas estruturada, apoiada pelo Escritório Francês da Biodiversidade, que organiza acompanhamentos guiados. É o interlocutor certo, e a observação costuma ser gratuita: peça os contatos ao seu anfitrião assim que chegar.
