«Será que o meu plano funciona lá, ou vou pagar uma fortuna?» Esta é uma das preocupações que mais surge entre os nossos hóspedes, mesmo antes da partida. A boa notícia dou já: na esmagadora maioria dos casos, o seu telefone e o seu plano na Martinica funcionam exatamente como em Paris, sem custos extra nem qualquer manipulação. Mas há algumas nuances de terreno que vale a pena conhecer, nomeadamente zonas sem sinal bem reais no Norte e na montanha, e algumas dicas se pretende trabalhar à distância a partir do seu alojamento. Depois de anos a viver aqui e a dar uma ajuda a viajantes todos os dias, aqui fica o panorama completo, sem jargão.
Telefone na Martinica: o seu plano metropolitano já funciona
Este é o ponto mais importante e o que tranquiliza toda a gente: a Martinica é um departamento e região francesa ultramarina (DROM). Desde 2017, a regulamentação europeia sobre o roaming («roam like at home») foi alargada aos DROM. Em concreto, se tem um plano móvel contratado na França continental com a Orange, SFR, Bouygues, Free ou um operador virtual, está em casa:
- Chamadas, SMS e dados móveis são descontados do seu pacote habitual, sem qualquer custo de roaming.
- Não tem nada a ativar: ao aterrar no aeroporto Aimé Césaire (Le Lamentin), o seu telefone passa automaticamente para uma rede local parceira.
- O indicativo local é o +596 para os fixos (e 0696 para os telemóveis martiniquenses), mas para ligar para a metrópole ou para outro telemóvel francês marca normalmente.
Apenas um reflexo a ter: verifique o seu pacote de dados «a partir dos DOM» nas condições do seu plano. A maioria das ofertas recentes inclui a Martinica no volume metropolitano, mas alguns planos antigos ou muito básicos limitam os dados utilizáveis no ultramar (por exemplo 25 GB em vez do ilimitado anunciado). Uma vista de olhos à sua área de cliente antes de partir evita qualquer surpresa desagradável.
E se vem do estrangeiro (Bélgica, Suíça, Canadá)?
Aqui, o «roaming gratuito» não se aplica, pois estes países estão fora da União Europeia neste aspeto. Tem então três opções:
- Ativar uma opção de viagem junto do seu operador de origem: muitas vezes de 5 a 15 € por dia ou por semana, a comparar com atenção.
- Comprar um cartão SIM local pré-pago (Orange Caraïbe, Digicel, Free) numa loja em Fort-de-France ou no centro comercial: conte com 10 a 25 € por um SIM com dados, mediante apresentação de documento de identidade.
- Optar por um eSIM descarregado antes da partida: a solução mais simples se o seu telefone for compatível. Os planos de dados para as Caraíbas começam à volta de 10-20 € por 5 a 10 GB.

Cobertura 4G na Martinica: muito boa no Sul, mais caprichosa no Norte
Sejamos concretos sobre a cobertura 4G na Martinica, porque é aí que conta a experiência de terreno. No geral, a rede móvel é boa a muito boa na maior parte da ilha, e o 5G já está implementado na área de Fort-de-France e nos principais municípios turísticos. Mas o relevo vulcânico cria contrastes bem marcados.
Onde funciona muito bem:
- Toda a área central: Fort-de-France, Le Lamentin, Schoelcher, Ducos.
- O Sul balnear: Les Trois-Îlets, Sainte-Anne (até Les Salines), Le Diamant, Sainte-Luce, Le Marin. Publica as suas fotos a partir da praia sem problema.
- A costa atlântica habitada: Le François, Le Robert, La Trinité.
Onde se complica:
- A costa Norte-Caraíba para lá de Saint-Pierre: Le Carbet funciona corretamente, mas entre Le Prêcheur e Grand-Rivière o sinal torna-se intermitente, ou mesmo ausente nas enseadas isoladas como a Anse Couleuvre.
- As estradas de montanha e os trilhos de caminhada: na Montagne Pelée, nos Pitons du Carbet ou nas pistas florestais do Norte, conte com perder a rede em alguns pontos. É também um argumento de segurança: avise alguém do seu itinerário antes de uma grande caminhada.
- O interior das gargantas e cascatas (Saut Gendarme, canyons de Fonds-Saint-Denis) onde o relevo corta o sinal.
O meu conselho de local: para uma excursão pelo Norte profundo ou pela montanha, descarregue os seus mapas offline (Google Maps, Maps.me) e a morada do seu alojamento antes de partir. Nunca ficará bloqueado.
4G ou 5G: que velocidade esperar no dia a dia?
No dia a dia no Sul e no Centro, a velocidade 4G é largamente suficiente para navegar, fazer streaming e videochamadas. Em 5G em Fort-de-France, ultrapassa facilmente as velocidades de que precisa em férias. As lentidões que por vezes se observam na época alta (a estação seca, de dezembro a abril, e durante o carnaval em fevereiro-março) devem-se sobretudo à afluência em certas células muito frequentadas, como Les Salines num domingo, e não a uma falha estrutural da rede.
Wifi na Martinica: o que esperar no alojamento e noutros lugares
Quanto ao wifi na Martinica, o padrão melhorou nitidamente. A fibra ótica cobre já boa parte dos municípios do Centro e do Sul, e a maioria dos alojamentos de férias sérios oferece uma ligação decente. Eis o que constato no terreno:
- No alojamento: o wifi é hoje quase sistemático nos alojamentos de qualidade. As zonas com fibra (Trois-Îlets, Sainte-Anne, Fort-de-France, Le Diamant) oferecem muitas vezes de 100 a 300 Mbit/s, mais que suficiente para trabalhar à distância. Nos municípios mais rurais do Norte, por vezes ainda se está em ADSL, portanto mais lento.
- Nos cafés e restaurantes: numerosos estabelecimentos de Fort-de-France e das zonas turísticas oferecem wifi gratuito, mas a velocidade continua variável. Conte com ele para ver o e-mail, não para uma grande videoconferência.
- No aeroporto e nos centros comerciais: wifi gratuito disponível, prático à chegada ou à partida.
Um ponto de honestidade: a qualidade do wifi no alojamento varia enormemente de um imóvel para outro. É exatamente o tipo de pormenor a verificar antes de reservar, sobretudo se pretende trabalhar.
Trabalhar à distância a partir da Martinica: é perfeitamente viável
Cada vez mais viajantes prolongam a sua estadia para trabalhar à distância, e a Martinica presta-se bem a isso, desde que se antecipe. A diferença horária joga a seu favor durante parte do dia: a ilha está a 5 h de Paris no inverno e a 6 h no verão. Quando são 15 h em Fort-de-France, são 20 h ou 21 h na metrópole, o que deixa uma bela manhã tranquila para avançar antes de a França acordar a sério.
As minhas recomendações para um trabalho à distância sem sobressaltos:
- Escolha um alojamento em zona com fibra (Sul Caraíba ou Centro) e confirme a velocidade real antes de reservar.
- Preveja um plano B: o seu plano móvel em partilha de ligação (a rede 4G do Sul é fiável) salvá-lo-á durante um corte, frequente na estação das chuvas fortes.
- Antecipe os cortes de eletricidade: durante episódios de trovoada ou ciclónicos (de junho a novembro), a eletricidade pode faltar algumas horas. Uma bateria externa e um computador bem carregado evitam perder uma reunião importante.
