Quando pensamos em rum francês, imaginamos espontaneamente a Martinica ou Guadalupe. No entanto, na outra ponta do arco, no continente sul-americano, a Guiana Francesa também produz o seu próprio rum agrícola. E ele não se parece com nenhum outro. Instalados aqui há vários anos para receber nossos viajantes, aprendemos que o rum da Guiana Francesa conta uma história à parte: a de uma única destilaria sobrevivente, de uma cana nascida entre o rio e a floresta amazônica, e de um saber-fazer que resiste ao tempo. Eis tudo o que você precisa saber antes de colocar uma garrafa de Belle Cabresse na sua mala.
Saint-Maurice: a última destilaria da Guiana Francesa
No início do século XX, a Guiana Francesa contava com várias destilarias distribuídas ao longo de seus rios. Hoje resta apenas uma em atividade: a destilaria Saint-Maurice, situada no município de Saint-Laurent-du-Maroni, na fronteira com o Suriname. É ela que produz a famosa marca Belle Cabresse, tornada o símbolo líquido de todo um território.
Uma localização fora do comum
Saint-Maurice fica às margens do rio Maroni, a cerca de 250 km de Caiena, ou seja, perto de 3 horas de estrada pela RN1. Esse posicionamento não tem nada de anedótico: a cana cresce aqui em terras aluviais, num clima equatorial quente e úmido onde a pluviosidade supera amplamente a das Antilhas. Essa generosidade de água e sol dá uma cana particularmente carregada de açúcar, colhida durante a estação seca (de meados de julho a meados de novembro), período que corresponde também ao melhor momento para visitar a Guiana Francesa.
Por que uma só destilaria?
A Guiana Francesa nunca teve a escala agrícola das ilhas antilhanas. Com uma população de cerca de 290 000 habitantes e uma economia voltada por muito tempo para o ouro, a madeira e depois o setor espacial, o cultivo da cana permaneceu artesanal. Saint-Maurice absorveu então o que restava da tradição rumeira local e continua a produzir um volume modesto, mas identitário. É precisamente essa raridade que faz do rum guianense uma descoberta procurada pelos apreciadores.

Belle Cabresse: um sabor que não é antilhano
O grande mal-entendido é acreditar que todos os runs agrícolas franceses se parecem. Prove o Belle Cabresse às cegas depois de um rum martinicano e a diferença salta ao paladar.
O que distingue o rum guianense
- O terroir amazônico: a cana cresce na orla da floresta primária, em solos diferentes dos vulcânicos das Antilhas. O perfil aromático é mais vegetal, às vezes herbáceo.
- A ausência de DOC: ao contrário do rum agrícola da Martinica, protegido por uma Denominação de Origem Controlada rigorosa, o rum da Guiana Francesa goza de uma maior liberdade de produção. Isso dá assemblages mais francos, muitas vezes mais potentes.
- O teor: encontra-se facilmente o Belle Cabresse em versões brancas a 50°, 55° ou mais, tradicionalmente usadas no mítico ti’punch local.
- A relação com o crioulo: aqui, o rum é bebido num contexto cultural mestiço, entre influências crioula, bushinenge, ameríndia e hmong. O rum arranjado é o rei.
O rum arranjado, a arte de viver guianense
Se você só tivesse que reter uma coisa, seria o rum arranjado (rhum arrangé). Maceram-se maracujá, abacaxi, gengibre, baunilha ou cascas locais durante semanas. Cada família tem sua receita. É o presente lembrança por excelência, muito mais significativo do que uma garrafa industrial. Nos mercados e nas mercearias de Caiena, você cruzará com dezenas de variantes.
Visitar Saint-Laurent-du-Maroni e a terra do rum
A destilaria Saint-Maurice é descoberta no âmbito mais amplo de uma estadia no oeste, uma região da Guiana Francesa demasiadas vezes ignorada pelos visitantes apressados.
O que ver ao redor de Saint-Laurent
Saint-Laurent-du-Maroni é antes de tudo conhecida por seu passado penitenciário:
- O Camp de la Transportation, antiga colônia penal onde desembarcavam os condenados, visita-se com guia (conte cerca de 1h30, tarifa muitas vezes em torno de 10 €).
- Uma descida do rio Maroni de piroga rumo às aldeias bushinenge e ameríndias, experiência imperdível (de meio dia a vários dias).
- Mais a oeste, Awala-Yalimapo e suas praias onde vêm desovar as tartarugas-de-couro entre abril e julho.
Combinar a visita da destilaria, a colônia penal e um passeio de piroga faz facilmente um fim de semana completo de dois a três dias a partir de Caiena.
Organizar o trajeto
O carro é indispensável na Guiana Francesa: pouco transporte público, distâncias longas. Conte cerca de 3 horas de Caiena (ou do aeroporto Félix-Éboué em Matoury) até Saint-Laurent pela RN1. Preveja água, combustível e uma partida matinal para aproveitar o frescor relativo. Para ir mais longe na preparação, nosso guia completo da Guiana Francesa detalha itinerários, estações e formalidades.
Comprar e levar rum da Guiana Francesa
O rum é sem dúvida a lembrança mais emblemática a levar de volta. Resta saber onde comprá-lo e quanto levar.
Onde se abastecer
- O mercado de Caiena (de manhã, especialmente quarta, sexta e sábado) para os runs arranjados artesanais.
- Os supermercados e mercearias locais para o Belle Cabresse em garrafa padrão, a preços muito acessíveis (muitas vezes de 12 a 20 € a garrafa conforme o teor e o formato).
- Diretamente em Saint-Laurent-du-Maroni para comprar o mais perto possível da fonte.
O que é preciso saber para a volta
Sendo a Guiana Francesa um departamento ultramarino francês que usa o euro, não há alfândega internacional para retornar à França metropolitana. Em contrapartida, pense nas regras da companhia aérea para os líquidos no porão (álcool acima de 24° e até 70°: geralmente 5 litros por pessoa no máximo). Embale bem suas garrafas: o trajeto de avião é longo.
