Ao planejar um dia na natureza em Basse-Terre, uma pergunta surge sem parar entre nossos viajantes: «As cachoeiras do Carbet, vamos ao primeiro, ao segundo ou ao terceiro salto?». A resposta nunca é a mesma para todos. Essas três cachoeiras, alimentadas pelas chuvas de La Soufrière (1467 m), não têm nem o mesmo acesso, nem o mesmo desnível, nem o mesmo nível de esforço. E como nossos anfitriões vivem em Capesterre-Belle-Eau, a dois passos do local, eles sabem melhor do que ninguém em que estado realmente estão as trilhas e quais trechos fecham após os episódios sísmicos. Aqui está nosso comparativo honesto para escolher o salto adaptado à sua forma física e à sua vontade.
Entender o local antes de partir
As cachoeiras do Carbet ficam no município de Capesterre-Belle-Eau, no coração do Parque Nacional de Guadalupe, na asa «Basse-Terre» da borboleta. O acesso ao local é pela Route de la Traversée e depois pela D4, que sobe pela floresta tropical até a Maison de la forêt e a área de acolhimento. Calcule cerca de 1h15 de estrada desde Pointe-à-Pitre (polo econômico e aeroporto Pôle Caraïbes) e 1h desde a costa sul de Grande-Terre.
Duas coisas a saber antes mesmo de amarrar os sapatos:
- A água das piscinas naturais é fresca (muitas vezes de 18 a 20 °C), às vezes turva após as chuvas. O banho ao pé das grandes cachoeiras é supervisionado, ou até proibido conforme os decretos.
- O tempo muda rápido. O melhor período continua sendo a estação seca, de dezembro a abril. Na estação úmida, as trilhas ficam lamacentas e escorregadias, e o caudal pode esconder a beleza das cachoeiras na neblina.
Um detalhe que muitos ignoram: os três saltos não se visitam a partir do mesmo ponto de partida. Não espere encadear os três em uma hora.

O 2.º salto: o imperdível acessível
Se você só pudesse fazer um, seria este. O segundo salto, com cerca de 110 metros de altura, é o mais visitado e o mais fotografado dos três.
Acesso e nível
- Partida: área de acolhimento de Saint-Sauveur (estacionamento estruturado, pago: calcule cerca de 2,50 € por pessoa para a entrada do local).
- Distância: cerca de 1,4 km de ida desde o estacionamento.
- Duração: 40 a 50 minutos de caminhada de ida, ou seja, 1h30 a 2h ida e volta com as paradas para fotos.
- Desnível: moderado, em torno de 130 m, numa trilha estruturada com passarelas e degraus de madeira.
É a boa escolha para famílias, caminhantes ocasionais e quem tem meio dia. A trilha atravessa uma floresta úmida espetacular (samambaias arborescentes, helicônias, madeira de Carbet que deu nome ao local). O mirante final oferece uma vista frontal da cachoeira.
Dica dos nossos anfitriões: parta antes das 9h. A partir das 10h30, o estacionamento lota e as passarelas viram um gargalo. Saindo cedo, você também tem mais chances de avistar beija-flores ao amanhecer.
O 1.º salto: o mais alto, o mais exigente
O primeiro salto é o gigante: cerca de 115 metros de queda livre, o mais impressionante dos três. Mas é preciso merecê-lo.
Acesso e nível
- Partida: mesmo setor que o segundo salto, mas a trilha se bifurca e sobe bem mais.
- Duração: 2h a 2h30 de caminhada de ida conforme seu ritmo, ou seja, um dia completo de trilha ida e volta.
- Desnível: importante, mais de 300 m acumulados, com trechos íngremes, com raízes e muitas vezes lamacentos.
- Público: caminhantes regulares, boa condição física, calçado de trilha obrigatório.
O primeiro salto é menos frequentado, o que faz dele um objetivo de escolha para quem busca tranquilidade e esforço. Em contrapartida, é também o trecho mais sensível aos imprevistos: é aqui que os desmoronamentos e os decretos de fechamento ocorrem com mais frequência.
O 3.º salto: o segredo dos conhecedores
O terceiro salto é o mais baixo em altura (cerca de 20 metros), mas o mais selvagem e o mais difícil de acesso. Chega-se a ele por um itinerário diferente, desde o povoado de Routhiers (Capesterre-Belle-Eau).
Acesso e nível
- Partida: estacionamento de Routhiers, mais modesto.
- Duração: 2h a 3h de ida conforme as condições, terreno técnico.
- Desnível: descida e depois subida exigentes, travessias de rio a vau.
- Público: somente caminhantes experientes, idealmente acompanhados de um guia.
A piscina natural do terceiro salto é uma das raras onde o banho às vezes é possível, num ambiente de cânion tropical longe da multidão. É o nosso favorito para quem quer uma verdadeira aventura, mas nunca se deve encarar após chuvas fortes: as cheias são rápidas e perigosas.

Tabela comparativa dos três saltos
| Critério | 1.º salto | 2.º salto | 3.º salto |
|---|---|---|---|
| Altura | ~115 m | ~110 m | ~20 m |
| Caminhada de ida | 2h–2h30 | 40–50 min | 2h–3h |
| Desnível | Forte (300 m+) | Moderado (130 m) | Forte, técnico |
| Nível | Esportivo | Acessível | Experiente |
| Movimento | Baixo | Alto | Muito baixo |
| Banho | Não | Supervisionado/proibido | Às vezes possível |
Fechamentos sísmicos e estado das trilhas: a realidade do terreno
Este é o ponto que os guias on-line costumam esquecer, e é precisamente aí que viver em Capesterre faz a diferença. Guadalupe é uma zona de forte atividade sísmica: os tremores, mesmo moderados, fragilizam as paredes e provocam desmoronamentos nas trilhas das cachoeiras.
Concretamente, nos últimos anos:
- A trilha do primeiro salto teve vários fechamentos prolongados após deslizamentos de terra. Verifique sempre seu status antes de partir.
- O acesso aos arredores imediatos das piscinas naturais é regularmente restrito por decreto prefeitoral por risco de queda de blocos.
- Após um sismo sentido, o Parque Nacional pode fechar todo ou parte do local por precaução, às vezes por várias semanas.
Nossas recomendações de bom senso, transmitidas pelos nossos anfitriões:
- Consulte o estado do local na véspera junto ao Parque Nacional de Guadalupe ou à Secretaria de Turismo de Capesterre-Belle-Eau.
- Nunca atravesse uma barreira ou uma fita de fechamento. Esses dispositivos não são decorativos: sinalizam um risco real de desmoronamento.
- Tenha um plano B pelo lado de Capesterre: a cachoeira do Galion, as piscinas naturais da Allée Dumanoir ou a praia de Roseau se tudo estiver fechado.
O que pôr na mochila e bons reflexos
Para aproveitar plenamente, qualquer que seja o salto escolhido:
- Calçado de trilha fechado (os chinelos são a primeira causa de queda no local).
- 1,5 L de água por pessoa, um corta-vento leve, repelente de mosquitos.
- Roupa de banho e toalha se o banho estiver autorizado no dia.
- Partida matinal, pela luz, pelo frescor e pelo estacionamento.
- Nenhum lixo deixado no local: estamos em um parque nacional protegido.
Organizar sua estadia na natureza pelo lado da Basse-Terre
As cachoeiras do Carbet se saboreiam melhor quando se dorme por perto, na costa de barlavento (Capesterre, Sainte-Marie, Trois-Rivières). Você evita a estrada de manhã e as combina facilmente com as outras joias de Basse-Terre: La Soufrière, a Reserva Cousteau em Malendure para o snorkeling, a Grande Anse de Deshaies, ou uma travessia até Les Saintes desde Trois-Rivières.
No Hostel Toucan, gerenciamos aluguéis de temporada selecionados em toda a ilha, com um verdadeiro acompanhamento local. Reserva direta sem taxas de plataforma, cancelamento gratuito até 7 dias antes da chegada, e uma assistência WhatsApp 7 dias por semana para lhe dizer, na mesma manhã, se as trilhas das cachoeiras estão abertas ou se é melhor adiar. Para preparar toda a sua viagem, consulte nosso guia completo de Guadalupe, explore nossos aluguéis de temporada em Guadalupe, e se você possui um imóvel na ilha, descubra nossa oferta de concierge para proprietários.
As cachoeiras do Carbet não se resumem a uma foto: são um encontro com a floresta tropical úmida, desde que você escolha o salto que de fato corresponde ao seu nível e ao estado do dia. Faça a escolha certa, parta cedo e deixe-se levar pelo estrondo da água.
FAQ
Qual salto das cachoeiras do Carbet é o mais fácil de acesso?
O segundo salto é de longe o mais acessível: cerca de 40 a 50 minutos de caminhada de ida numa trilha estruturada com passarelas, com um desnível moderado. Ele serve para famílias e caminhantes ocasionais. O primeiro e o terceiro salto exigem uma condição física bem melhor e várias horas de caminhada.
As cachoeiras do Carbet ficam às vezes fechadas?
Sim. Guadalupe é uma zona sísmica ativa e podem ocorrer desmoronamentos nas trilhas, sobretudo em direção ao primeiro salto. O Parque Nacional ou a prefeitura fecham então todo ou parte do local por decreto. Verifique sempre o status de abertura na véspera junto ao Parque Nacional ou à Secretaria de Turismo de Capesterre-Belle-Eau.
Pode-se nadar nas cachoeiras do Carbet?
O banho ao pé do primeiro e do segundo salto é geralmente supervisionado, ou até proibido por decreto por risco de queda de blocos. O terceiro salto, mais selvagem, dispõe de uma piscina natural onde o banho às vezes é possível, mas nunca após chuvas fortes devido ao risco de cheia rápida.
Qual é a melhor época para visitar as cachoeiras do Carbet?
A estação seca, de dezembro a abril, é ideal: trilhas menos lamacentas, melhor visibilidade das cachoeiras e banhos mais seguros. Na estação úmida, os caminhos ficam escorregadios e o caudal pode afogar as cachoeiras na neblina. Em todos os casos, parta cedo de manhã pela luz e pelo estacionamento.